O Brasil está vivendo um momento decisivo para o futuro da tecnologia. Em 2025, o Senado Federal aprovou o Marco Regulatório da Inteligência Artificial, e agora a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 2338/23, que deve redefinir como empresas e cidadãos brasileiros interagem com sistemas de IA.
O que é o Marco Regulatório da IA?
O Marco Regulatório da Inteligência Artificial é um conjunto de regras que estabelece direitos, deveres e limites para o uso de sistemas de IA no território brasileiro. Inspirado no modelo europeu, o projeto brasileiro adota uma abordagem baseada em níveis de risco: quanto maior o potencial de impacto negativo de um sistema de IA sobre a vida humana ou os direitos fundamentais, mais rigorosas serão as exigências regulatórias.
O texto prevê a criação do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) coordenando as ações de fiscalização e compliance.
O que muda para as empresas?
Para as organizações que operam no Brasil, as mudanças são significativas. Entre os pontos mais importantes estão:
- Transparência algorítmica: empresas precisarão explicar como seus sistemas de IA tomam decisões que afetam pessoas.
- Direitos autorais no treinamento de IA: grandes plataformas deverão informar quais conteúdos protegidos foram usados no treinamento de seus modelos, e criadores poderão vetar o uso de suas obras.
- Avaliação de impacto: sistemas de IA classificados como de alto risco exigirão relatórios periódicos de avaliação de impacto.
- Responsabilidade civil: ficará mais claro quem responde pelos danos causados por decisões automatizadas.
Impacto na saúde: a regulação específica do CFM
Além do marco geral, o setor de saúde ganhou uma regulação própria. Em 2026, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM nº 2.454/2026, o primeiro marco regulatório federal exclusivamente dedicado ao uso de IA na prática médica brasileira. A norma define que a responsabilidade final por diagnósticos e tratamentos continua sendo do médico, mesmo quando apoiada por ferramentas automatizadas.
Por que isso importa para o seu negócio?
Independentemente do segmento, toda empresa que utiliza ou pretende utilizar IA precisa estar atenta a esse novo cenário. O não cumprimento das regras pode gerar multas, interdições e danos à reputação.
Mais do que uma obrigação legal, a conformidade com o marco regulatório representa uma oportunidade de diferenciação: empresas que adotam práticas responsáveis de IA ganham confiança do mercado e dos consumidores.
Como se preparar agora?
A IAGuru recomenda três passos imediatos para empresas que usam IA em seus processos:
- Mapeie seus sistemas de IA: identifique quais ferramentas você já usa e em quais processos elas interferem nas decisões sobre pessoas.
- Classifique os riscos: com base no PL 2338/23, avalie em qual categoria de risco cada sistema se enquadra.
- Prepare sua documentação: reúna registros sobre os dados utilizados, os processos automatizados e os mecanismos de controle humano existentes.
O futuro da IA no Brasil será regulado. As empresas que se prepararem agora sairão na frente.

